A relação entre Vasco e a administração do Maracanã voltou a ser marcada por uma disputa judicial. O clube carioca já recorreu aos tribunais em diferentes momentos desde 2022 para tentar utilizar o estádio e obteve decisões favoráveis em três ocasiões. A primeira delas ocorreu em 2022, quando o Vasco pretendia enfrentar o Sport, pela Série B do Campeonato Brasileiro. Após ter o pedido recusado pela administração do Maracanã, o clube acionou a Justiça e conseguiu autorização para realizar a partida no estádio. Na decisão, foi considerado que o Maracanã é um bem público pertencente ao Estado do Rio de Janeiro, enquanto o Flamengo exercia a função de permissionário do complexo.
No ano seguinte, o Vasco voltou aos tribunais por causa de outros dois jogos. O clube queria receber Atlético-MG e Palmeiras no Maracanã e conseguiu, nas duas situações, decisões favoráveis para utilizar o estádio. As tentativas de Flamengo e Fluminense de derrubar as liminares não foram suficientes para impedir a realização dos confrontos no local.
O cenário passou por uma alteração após a licitação realizada em 2024, vencida pelo consórcio formado por Flamengo e Fluminense. No ano seguinte, os três clubes firmaram um acordo que prevê a realização de quatro partidas do Vasco por temporada no Maracanã, além dos clássicos contra os dois rivais. O documento estabelece que uma eventual recusa ao pedido do Vasco precisa estar fundamentada em questões técnicas ou operacionais.
Em agosto de 2026, o clube teve a primeira derrota judicial nesse histórico recente. O Vasco tentou conseguir autorização para mandar um jogo contra o Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil, no Maracanã. A administração do estádio alegou a necessidade de manutenção do gramado, e a Justiça não concedeu a liminar solicitada pelo clube.
Atualmente, um novo capítulo envolve o confronto com o Boca Juniors, marcado para 20 de outubro, pela semifinal da Copa Sul-Americana. O Vasco pretende realizar o jogo no Maracanã, mas teve o pedido recusado pelo consórcio responsável pela administração do estádio. Entre os argumentos apresentados estão as condições do gramado e o calendário de partidas previsto para o local. O Vasco, por sua vez, sustenta que São Januário não possui capacidade para receber partidas a partir da fase semifinal da competição, que exige estádio com capacidade mínima de 30 mil espectadores. Dessa forma, o clube considera o Maracanã a opção disponível no Rio de Janeiro que atende às exigências.
A tentativa de obter uma decisão judicial, porém, ganhou um novo obstáculo. A ação apresentada pelo Vasco foi suspensa porque já existe outro processo, movido por um torcedor do clube, tratando da utilização do Maracanã para a mesma partida. Nesta sexta-feira (2), o Vasco recorreu da decisão e solicitou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro uma análise urgente do caso. Diferentemente do que ocorreu em 2022 e 2023, o clube ainda não obteve uma decisão que assegure o Maracanã para o duelo contra o Boca Juniors. A definição dependerá da tramitação dos processos judiciais e também das exigências estabelecidas pela Conmebol para a partida.
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