Embora a informação não seja nova, ela foi redescoberta pelo grupo de pesquisadores vascaínos PesquisaVasco, que a encontrou em jornais do século passado, enquanto produziam o Almanaque do Vasco.
O gol de Dininho ocorreu a um ou dois minutos do fim da partida, quando o Vasco já liderava por 4 a 1, com gols de Paschoal (dois) e Russinho (dois). Naquela época, as partidas eram disputadas em 80 minutos, divididos em dois tempos de 40 minutos, com um intervalo de 10 minutos. O jogo foi realizado no campo da Rua Paysandu, que pertencia ao Flamengo. Antes da construção de São Januário, era comum o Vasco mandar seus jogos nos campos dos rivais. O campeão carioca de 1926 foi o São Cristóvão, que terminou um ponto à frente do Vasco.
Os registros históricos
Não existem fotos ou vídeos do gol, mas três jornais da época descreveram o lance:
Jornal do Brasil – “Continuou o Vasco a atacar e no último minuto de jogo, Dininho bateu optimamente um corner; Balthazar foi atrapalhado por um seu companheiro e a bola foi ter às redes, sendo assim conquistado o 5°. gol do Vasco.”
O Globo – “Faltavam dois minutos para terminar a peleja e Dininho, batendo um corner, consegue com shoot directo o quinto e último gol, terminando o encontro com o seguinte resultado: Vasco, 5. Villa, 1.”
O Imparcial – ” (…) e o quinto, Dininho, proveniente de um corner directo.”
Outros periódicos relataram o gol de maneira diferente, o que era comum em uma época em que os cronistas dependiam apenas da visão e da memória para escrever suas reportagens. O Jornal do Commercio, por exemplo, chegou a atribuir o gol a Gonçalves. No entanto, a revista Polyanthéa Vascaina, lançada em 1927 e baseada em informações oficiais do clube (súmulas, relatórios etc.), confirma que os gols da partida foram de autoria de Paschoal (dois), Russinho (dois) e Dininho.
Revista Polyanthéa Vascaina, de 1927. Foto: Acervo Digital do Centro de Memória do CRVG
Vasco duplamente pioneiro
O Vasco, portanto, é pioneiro ao ter marcado os dois primeiros gols olímpicos do futebol brasileiro: o primeiro por Dininho, em 27 de junho de 1926, e o segundo por Sant’Anna, em 31 de março de 1928, no amistoso que inaugurou os refletores de São Januário, contra o Montevideo Wanderers, do Uruguai.
Quem foi Dininho?
Bernardino Granado Coutinho nasceu em 10 de fevereiro de 1906 no Rio de Janeiro. Atuou como atacante no Vasco, Bangu, Portuguesa-RJ e Ypiranga-SP. Pelo Vasco, jogou de 1926 a 1927, participou de 31 partidas, marcou 8 gols e conquistou o título do Torneio Início de 1926. Teve uma carreira mais longa no Bangu, onde anotou 51 gols em 283 jogos. Faleceu em 4 de julho de 1986, aos 80 anos.
Na foto do elenco campeão do Torneio Início de 1926, Dininho está em pé, de gorro. Foto: Revista O Malho/Acervo Biblioteca Nacional/Remasterizada por IA
Dininho na época em que jogava pelo Bangu. Foto: Acervo Bangu Atlético Clube/Remasterizada por IA
Ficha técnica
VASCO 5 X 1 VILA ISABEL
Competição: Campeonato Carioca
Data: 27 de junho de 1926 (domingo)
Local: Campo do Paysandu (Rio de Janeiro)
Árbitro: Alexandre Zacharias de Assumpção
Gols: Ismael 5/1T (VIL), Paschoal 20/1T (VAS), Russinho 30/1T (VAS), Russinho 33/2T (VAS), Paschoal 35/2T (VAS), Dininho (olímpico) 39/2T (VAS)
VASCO: Nelson; Sá Pinto e Italia; Nesi, Bolão e Arthur; Paschoal, Torterolli, Russinho, Gonçalves e Dininho. Técnico: Ramón Platero.
VILA ISABEL: Balthazar; Jobel e Waldemar; Sebastião, Sylvio e Moysés; Bonitinho, Ismael, Mintho, Thuler e Fernandes.
Por que “gol olímpico”?
Os gols marcados em cobrança de escanteio passaram a ser válidos em 1924, após uma decisão da International Board, que define as regras do futebol. Em 2 de outubro daquele ano, a Argentina fez um gol desse tipo contra o Uruguai e, para ironizar os então campeões olímpicos, o chamou de “gol olímpico”.
Agradecimentos a Carlos Molinari, Henrique Hübner e Mauro Prais.
Fonte: MEUVASCO (texto), Jornal do Brasil/Acervo Biblioteca Nacional (foto), Polyanthéa Vascaina/Acervo Digital do Centro de Memória do CRVG (foto), Revista O Malho/Acervo Biblioteca Nacional (foto), Acervo Bangu Atlético Clube (foto)
Descrição do gol olímpico de Dininho pelo Jornal do Brasil. Foto: Jornal do Brasil/Acervo Biblioteca Nacional
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