Rivais pela primeira vez no domingo, Gerson e Payet são bons amigos fora de campo. Amizade construída durante dois anos no Olympique de Marselha que se estendeu ao Rio de Janeiro, desde a chegada do francês ao Brasil, em agosto.
Apesar de hoje atuarem por times rivais, Gerson e Payet se falam com alguma frequência. Por conta do calendário, os contatos geralmente acontecem por troca de mensagens. A última partiu de Gerson, que parabenizou Payet pelo gol diante do Fortaleza, na quarta-feira, o primeiro do francês com a camisa do Vasco.
Gerson, inclusive, teve participação na vinda de Payet para o Brasil. Antes do acerto com o Vasco, o francês conversou com o amigo e ouviu boas referências sobre o Rio de Janeiro e o futebol brasileiro.
– Falei com o Gerson pelo telefone, eu queria saber como ele vê o Brasil, para falar do Vasco. Passamos dois anos juntos, eu ficava ao lado dele no vestiário. Eu o ajudei quando ele chegou à França, foi difícil para ele no começo. Eu senti que ele podia me ajudar e reforçou que seria bom vir para cá – disse Payet, em sua apresentação no Vasco, em agosto.
A amizade começou na França. Negociado pelo Flamengo, Gerson desembarcou no Olympique de Marselha em 2021. O entrosamento dentro e fora de campo aconteceu de forma gradual e rendeu frutos já na primeira temporada, quando os dois foram os principais responsáveis por levar o time de volta à Champions League, sob o comando de Jorge Sampaoli. O clube terminou na segunda colocação do Campeonato Frances, atrás apenas do badalado PSG.
– Não foi um amor à primeira vista. O Gerson chegou um pouco tímido, um pouco do jeito dele, e ficou um pouco isolado. Mas pouco a pouco eles se aproximaram, o Gerson começou a se adaptar. Na primeira temporada eles se deram muito bem dentro e fora de campo. Foram super decisivos e levaram o Olympique para o segundo lugar do Campeonato Francês e para a Champions – recorda o jornalista francês Eric Frosio, correspondente do L’Équipe no Brasil.
Os números comprovam a importância da dupla na campanha do Marselha. Na temporada 21/22, Payet foi o jogador com mais participações em gols do Olympique (22), seguido por Gerson (13). Nesse período, o francês até brincou em um vídeo, publicado pelo Olympique, pedindo para que o brasileiro parasse da dar tantas assistências, pois o papel de maior garçom do campeonato era dele. Tudo em tom bem-humorado.
Problemas com Tudor
Após um primeiro ano em alta, de entrosamento e bons resultados em campo, Gerson e Payet enfrentaram um problema em comum na temporada seguinte: o técnico Igor Tudor. Substituto de Sampaoli, o croata desembarcou em Marselha e barrou os dois principais jogadores do time.
Com pouco espaço, Gerson recebeu oferta do Flamengo e optou por retornar ao Brasil no fim de 2022. Ídolo do Olympique, Payet teve um pouco mais de paciência, mas seguiu o mesmo caminho no fim da temporada.
– No segundo ano, quando o Tudor chegou, ele isolou os dois. O Payet escolheu trabalhar e encarar. O Gerson não teve paciência e preferiu sair. Mas eles se juntaram ainda mais fora de campo nesse momento e construíram essa amizade – disse o jornalista francês Eric Frosio.
Dupla chega em alta ao clássico
O reencontro será neste domingo, às 16h (de Brasília), no Maracanã. Agora no futebol brasileiro, Payet e Gerson chegam ao clássico com status de protagonistas. Os dois vivem um bom momento.
O francês marcou seu primeiro gol e foi decisivo na vitória do Vasco sobre o Fortaleza, na quarta-feira, em São Januário. Mais adaptado ao futebol, o camisa 10 ganhou a posição de titular.
– Ele tem muita experiência, está melhorando dia a dia, tomando conhecimento do futebol brasileiro, estamos trabalhando muito com ele para entender. Está melhorando, está mostrando sua categoria, feliz por ele e pelo grupo – elogiou o técnico Ramón Díaz, após a partida de quarta.
Gerson, por sua vez, também chega em alta. Em um ano ruim do Flamengo, o meia foi um dos poucos a se salvar e vem de boas partidas e convocação. Após estar com a seleção brasileira na Data Fifa, voltou a foi titular na vitória sobre o Cruzeiro, a primeira sob o comando de Tite.
O técnico, que já havia levado Gerson para a Seleção anteriormente, usou o jogador como um ponta em sua estreia, com liberdade para flutuar nos dois lados do campo. Posicionamento que deve se repetir outras vezes. Em 2021, quando comandava o Brasil, Tite deu a seguinte declaração:
– Eu não considero o Gerson um volante. Considero o Gerson um jogador de articulação. Ele teve sua origem como 10, tem jogado adiantado em seu clube (na época o Olympique). Teve um posicionamento mais avançado, em linhas ofensivas. O Gerson trabalhou muito mais como articulador do que como primeiro ou segundo meio-campista.
Fonte: ge
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