Passou-se um ano desde a morte de Roberto Dinamite, ídolo máximo do Vasco da Gama. Durante esse tempo, o lendário artilheiro do futebol brasileiro foi reverenciado e sua saga foi contada inúmeras vezes. Porém, sabia você que antes de encerrar sua carreira, Dinamite atuou no Campo Grande? E que este clube da Zona Oeste, juntamente com o renomado técnico Joel Santana, contribuiu para uma despedida honrosa do Vasco?
O ge relembrará esses momentos marcantes.
“Não dá para permanecer”
O encerramento da temporada de 1990 do Vasco foi desanimador, com um empate em 2 a 2 contra o Santos, na Vila Belmiro, que colocou o time na decepcionante 12ª colocação no Campeonato Brasileiro. Esse desempenho fraco somou-se à eliminação nas quartas de final da Libertadores e aos vice-campeonatos no Carioca e na Supercopa do Brasil. Para a temporada seguinte, a diretiva era clara: era hora de renovar.
Sob a liderança de Eurico Miranda, na época diretor de futebol do clube, o elenco passou por uma grande reformulação. Entre os jogadores dispensados estava o atacante Roberto Dinamite, cujo contrato não foi renovado. O adeus do ídolo, que dedicara grande parte de sua vitoriosa carreira ao clube de coração, era inimaginável.
O ano foi frustrante para Bob: maior goleador da história do Vasco, ele marcou apenas 12 gols, a maioria no Carioca ou em amistosos. Passou a maior parte do tempo no banco de reservas. Às vésperas de completar 37 anos, o ídolo já não desfrutava do prestígio de outrora. Em meio a um cenário conturbado, a diretoria viu a oportunidade perfeita para encerrar a trajetória do camisa dez. Até então, ele acumulava vinte anos de serviços prestados ao clube e mais de setecentos gols marcados.
– Não dá para continuar. No ano passado, fui pouco utilizado. Este ano, mantiveram a mesma comissão técnica. Não falaram nada comigo. Agora, o caminho está livre para novos horizontes – revelou Roberto Dinamite nos primeiros dias de 1991.
Dez anos antes, o Campo Grande Atlético Clube havia conquistado o título da Série B do Campeonato Brasileiro e almejava recuperar sua relevância no futebol nacional. O primeiro passo era reconquistar prestígio no Rio. Na temporada anterior, a equipe escapara do rebaixamento no Campeonato Estadual por meros três pontos.
O clube apostou suas fichas na contratação do meia Eloi, vencedor da Liga dos Campeões pelo Porto. Ele deixou a Europa para desembarcar na sede do ‘Campusca’, na Zona Oeste, marcando o início de um projeto ambicioso liderado por Antônio Santos, presidente do clube e influente empresário da região.
“Ele queria formar um time para rivalizar com os grandes. E conseguiu”, afirmou Eloi.
E havia um alvo em especial.
– Antônio, vascaíno fervoroso com quem compartilhava residência, manifestou sua vontade de contratar Roberto, embora achasse o feito impossível – relembrou o meia.
O convite que deu certo
Eloi se prontificou a realizar o desejo de seu chefe: ao tomar conhecimento de que Dinamite estava de saída do Vasco, resolveu convidar o amigo, com quem tinha atuado no início dos anos 80.
Quando liguei para ele, não estava em casa. Naquela época, nem havia celulares. Deixei uma mensagem na secretária eletrônica. Fiz o convite ali mesmo. Algumas horas depois, ele me retornou concordando – recordou com orgulho.
Apesar de ter outras propostas, Dinamite aceitou o desafio: na manhã seguinte, em companhia de Eloi, acertou contrato para disputar o Campeonato Carioca. Pouco depois, o experiente centroavante Cláudio Adão também seria contratado, vindo do Bahia, para reforçar um elenco mais estrelado do que nunca do Campo Grande.
O trio levou o “Campusca” a uma surpreendente quinta posição no Campeonato Estadual. Durante a campanha, obtiveram resultados significativos, como a vitória por 1 a 0 sobre o próprio Vasco, além de confrontos acirrados com Flamengo, Fluminense e Botafogo.
Roberto Dinamite desempenhou um papel distinto em suas aparições pelo Ítalo Del Cima. Atuando de forma mais recuada, optou por posicionar Cláudio Adão mais próximo ao gol. Ele era o grande estrategista da equipe, atuando como capitão e líder natural do grupo, sendo uma referência para os mais jovens. Apesar de não ter marcado gols pelo ‘Campusca’, chamou a atenção pela versatilidade e pela força física, que ainda estavam em níveis elevados.
A passagem pelo Campo Grande marcaria o fim da carreira de Dinamite se não fosse pela intervenção de um grande amigo: Joel Santana, que havia acabado de assumir o comando do Vasco para a temporada de 1992.
“Não era aceitável que um ídolo daquela qualidade e competência encerrasse sua carreira em outro clube que não o Vasco. Tinha que ser no Vasco. Eu disse: ‘Preciso de Roberto, ele me ajudará’”, revelou Joel.
Roberto retornou e, ao lado de Edmundo, foi um dos pilares do time que conquistou, de forma invicta, o Campeonato Carioca de 1992. Foram 10 gols em 24 jogos. No Brasileiro, a equipe, liderada por ele, teve a melhor campanha na fase classificatória, mas acabou eliminada na fase semifinal.
A última temporada oficial da carreira de Bob foi digna de sua grandeza: conquistando títulos, marcando gols e sendo protagonista no clube que amava. Sua despedida definitiva do futebol e do Vasco aconteceu alguns meses depois, em um jogo festivo contra o Deportivo La Coruña, no Maracanã.
Fonte: ge
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